Mesmo após denúncias anteriores, policiais civis que atuam em delegacias do interior de São Paulo seguem enfrentando condições de trabalho consideradas críticas e preocupantes. A situação é especialmente grave nas unidades atendidas por apenas um policial por plantão, realidade que, segundo relatos, permanece frequente nas delegacias vinculadas ao DEINTER-1.

De acordo com as denúncias investigadas pelo SIPESP, o policial que assume o plantão nessas unidades é obrigado a acumular diversas funções simultaneamente, muitas delas que não correspondem ao seu cargo ou atribuições legais. Atividades que seriam de responsabilidade exclusiva de escrivães de polícia ou agentes do setor de polícia judiciária acabam sendo realizadas por um único profissional, que permanece sozinho durante todo o turno.

A situação se agrava quando esse policial, além de atender as ocorrências da própria unidade, é compelido a responder por fatos de outras delegacias, mesmo sem estar fisicamente presente no local da ocorrência. Em casos de apreensão de entorpecentes, armas, valores em dinheiro ou outros objetos, o profissional assume responsabilidades formais sobre materiais aos quais não teve acesso direto, o que expõe o servidor a riscos administrativos, disciplinares e jurídicos.

Somado a isso, o policial em plantão solitário ainda precisa lidar com a chegada constante de novas ocorrências em sua própria unidade, sem qualquer tipo de apoio ou substituição. Há relatos de que esses profissionais são monitorados de forma contínua por câmeras de vigilância instaladas nas delegacias, o que, segundo os denunciantes, gera constrangimento e pressão psicológica durante o exercício da função.

A falta de efetivo também impacta nas necessidades básicas. Sem outro servidor para revezamento, muitos policiais relatam dificuldades até mesmo para realizar refeições ou atender necessidades fisiológicas ao longo do plantão, já que não há quem assuma temporariamente o atendimento da unidade. Inclusive, a posse de novos investigadores é uma questão que o SIPESP, de forma contundente, vem apoiando para que seja resolvida. Existem profissionais já aprovados aguardando para dar andamento no processo de posse da vaga, condição indispensável para que a rotina de trabalho melhore para os policiais e, como consequência, o atendimento à população.

A situação se agravou ainda mais quando o diretor jurídico adjunto do SIPESP, Adilson Ferreira, constatou que as escalas mais comuns nessas delegacias chegam a até 12 por 48, não têm sido suficientes para mitigar os riscos e o desgaste físico e mental, sobretudo quando o policial permanece completamente sozinho, seja homem ou mulher, em unidades que deveriam contar com equipes mínimas.

“Esse é um cenário lamentável! Reiteramos que a manutenção dessas condições compromete não apenas a saúde e a segurança dos policiais civis, mas também a qualidade do atendimento prestado à população. As denúncias reforçam a necessidade urgente de reforço no efetivo, revisão das escalas e respeito às atribuições legais de cada cargo dentro da Polícia Civil”, afirmou Ferreira.