Uma nova denúncia voltada à escala de plantão da Delegacia Seccional de Polícia de Praia Grande reacende críticas entre policiais civis da região e de todo o Estado. O documento evidencia, segundo relatos recebidos pelo SIPESP, um cenário de sobrecarga de servidores, utilização de equipes de reforço e denúncias de retaliação contra aqueles que questionam a organização dos plantões. A denúncia se assemelha às denúncias já expostas pelo sindicato nas cidades de São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

De acordo com policiais da unidade de PG, a criação de uma equipe de apoio denominada DEJEC teria ocorrido para suprir a deficiência de efetivo nas escalas de plantão. Apesar da medida buscar minimizar os impactos da falta de pessoal, é importante ressaltar que a iniciativa não resolve o problema estrutural e transfere a responsabilidade para equipes já sobrecarregadas.

Outro ponto que chama atenção na escala é a determinação de que as equipes de apoio permaneçam durante todo o turno à disposição da Autoridade Policial, utilizando, inclusive, as viaturas das respectivas unidades de origem. O documento também estabelece que qualquer troca de plantão somente poderá ocorrer mediante autorização prévia do Delegado Seccional.

Além disso, o SIPESP identificou que questionamentos sobre a escala estariam sendo respondidos com retaliações e perseguições administrativas, criando um ambiente de insegurança entre os servidores.

Para o SIPESP, o problema vai além da elaboração da escala. A entidade tem alertado reiteradamente que a Polícia Civil paulista enfrenta um grave déficit de efetivo, situação que vem sendo agravada ao longo dos últimos anos e que resulta em jornadas cada vez mais desgastantes para investigadores e demais servidores.

SIPESP em estado de atenção

Cabe destacar que as denúncias não se restringem às Delegacias Seccionais de Praia Grande, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Na Delegacia Seccional de Cruzeiro, onde o presidente do SIPESP exerce suas funções como investigador de polícia, também são constantes as reclamações de policiais civis quanto à imposição de escalas consideradas abusivas.

Segundo os relatos encaminhados ao Sindicato, além do cumprimento das escalas ordinárias de plantão, os policiais ainda são submetidos a regimes de sobreaviso para plantões, escoltas de presos e escoltas de adolescentes em conflito com a lei, permanecendo permanentemente à disposição da Administração. Na prática, essa sistemática amplia significativamente a carga de trabalho, compromete os períodos de descanso e agrava o desgaste físico e emocional dos servidores.

“O que estamos vendo não é um problema isolado de uma ou outra unidade. Como presidente do SIPESP e policial lotado na Seccional de Cruzeiro, recebo diariamente reclamações de colegas que enfrentam jornadas excessivas e sucessivos regimes de sobreaviso. Não podemos aceitar que a falta de efetivo continue sendo compensada às custas da saúde e da qualidade de vida dos policiais civis”, afirma o presidente do SIPESP, Paulo Erica.

Na avaliação do Sindicato, medidas paliativas, como remanejamentos internos e criação de equipes de reforço, não substituem a necessidade de reposição de pessoal, planejamento administrativo e gestão eficiente das unidades policiais.

O SIPESP continuará acompanhando a situação da Seccional de Praia Grande, bem como de SBC e SCS e cobrando da Administração Superior da Polícia Civil providências que garantam condições dignas de trabalho aos policiais civis e um atendimento adequado à população.