
A inauguração da Cidade da Polícia e a implementação do funcionamento 24 horas da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em São Bernardo do Campo acenderam um alerta entre policiais civis da região do ABC Paulista e do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo. Nos bastidores, investigadores e escrivães demonstram preocupação com a possibilidade de remanejamentos forçados e sobrecarga de trabalho para suprir a falta de efetivo na nova estrutura.
O SIPESP teve acesso à escala que foi feita para Escrivães de Delegacias do ABC – que irão se deslocar de seus municípios para atuarem na ddm – e que pertencem às delegacias da Seccional de SBC.
A principal crítica dos policiais é que a ampliação do atendimento ocorreu sem a correspondente contratação de efetivo suficiente para atender à nova demanda. Na prática, a solução encontrada seria deslocar profissionais que já atuam em escalas consideradas desgastantes em suas unidades de origem.
Um dos exemplos citados envolve um escrivão que atua na em São Caetano do Sul, cumprindo expediente administrativo de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h. Mesmo assim, ele teria sido escalado para atuar em plantão noturno na DDM de São Bernardo do Campo, precisando se deslocar para outro município após a jornada regular de trabalho.
Além disso, policiais apontam que a própria DDM de São Caetano já opera em escala conhecida como “gorda/magra”, modelo de escala alternada, onde o policial trabalha segunda, quarta e sexta (gorda) em uma semana e, na semana seguinte, trabalha terça e quinta (magra), intercalando até o final do mês.
O temor é de que o remanejamento de efetivo agrave ainda mais a situação nas unidades da região. Embora São Caetano e São Bernardo pertençam à mesma seccional, investigadores afirmam que a prática representa um desgaste excessivo para os servidores, que já enfrentam jornadas intensas, déficit de efetivo e acúmulo de funções.
Nos corredores da Polícia Civil, o sentimento é de preocupação com o impacto da medida tanto na saúde dos policiais quanto na qualidade do atendimento prestado à população.
Para servidores ouvidos pelo SIPESP, a abertura de novas estruturas e serviços 24 horas deveria vir acompanhada de planejamento e reforço real no quadro funcional, evitando que policiais já sobrecarregados precisem assumir jornadas extras em outras cidades para manter o funcionamento das unidades.
Sobre a DDM
A primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) com atendimento 24 horas do ABC Paulista começou a funcionar no dia 18 de maio. A unidade está instalada na Cidade da Polícia Civil e é a segunda da Grande São Paulo com funcionamento ininterrupto. A outra fica em Barueri.
A unidade funciona na chamada Cidade da Polícia Civil de São Bernardo do Campo, complexo que reúne equipes da Delegacia Seccional, da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic), Grupo de Operações Especiais (GOE), Delegacia de Proteção ao Idoso (DPPI) e Delegacia de Investigações sobre Infrações contra o Meio Ambiente (DIICMA).
