
Situação amplifica as dificuldades enfrentadas por servidores públicos na busca por atendimento no Hospital do Servidor; caso está sendo investigado pelo SIPESP.
Um investigador de polícia denunciou ter sido vítima de agressão física e recebido negativa de atendimento médico no Hospital do Servidor Público Estadual – IAMSPE, localizado na região da Vila Clementino, na capital paulista. O caso reacende o debate sobre as dificuldades enfrentadas por policiais civis — ativos e aposentados — no acesso à assistência em saúde, situação já relatada em inúmeras atuações do SIPESP, que podem ser verificadas no site oficial da entidade.
De acordo com os relatos, que estão sendo compartilhados publicamente entre grupos de mensagens de policiais civis, o servidor procurou atendimento no setor de psiquiatria da unidade situada na Avenida Borges Lagoa, alegando estar em uso contínuo de medicação para tratamento de síndrome do pânico e que estaria sem o medicamento.
“Estou no Hospital do Servidor, no setor de psiquiatria, e preciso de remédio. Não querem me atender. Preciso de ajuda, sou sozinho e meu pai é doente”, afirmou em uma das mensagens encaminhadas aos colegas.
Segundo o servidor, ele estava no horário previsto para atendimento, mas a médica plantonista teria se recusado a atendê-lo. Ainda conforme o relato, a recepção não teria aberto ficha para consulta e, na sequência, seguranças foram acionados.
O policial civil afirma que foi retirado à força do local. “Jamais pensei que veria acontecer com um policial civil ser agredido por seguranças. Honestamente, jamais andei desarmado. Esses seguranças deram muita sorte, mas não podem ficar sem a justa resposta”, declarou.
O servidor relata ter sofrido lesão no pé — justamente o membro que, segundo ele, já aguarda procedimento cirúrgico, com documentação médica comprobatória. “Eu machuquei meu pé. Foi uma situação muito covarde. Não me atenderam, não forneceram medicamento e ainda fui agredido”, afirmou.
Com 28 anos de serviço na Polícia Civil do Estado de São Paulo, onde diz ter atuado em diferentes departamentos e alcançado a classe especial, o policial informou que se dirigiu ao 31ºDP – Vila Carrão para registrar boletim de ocorrência e que pretende encaminhar o caso ao Ministério Público e à Imprensa.
O atendimento médico dos servidores estaduais é realizado por meio do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE), responsável pela gestão do Hospital do Servidor Público Estadual.
Saúde mental na polícia
O episódio evidencia um problema mais amplo enfrentado por policiais civis quando buscam atendimento médico, especialmente na área de saúde mental. A rotina de trabalho da categoria envolve exposição constante a situações de violência, pressão psicológica, jornadas extensas e risco permanente, fatores que contribuem para quadros de ansiedade, depressão, síndrome do pânico e outros transtornos.
O SIPESP têm alertado para a necessidade de acolhimento humanizado, protocolos claros e respeito institucional aos servidores que procuram ajuda. A negativa de atendimento ou situações de constrangimento podem agravar quadros clínicos e desestimular a busca por tratamento.
Além de acompanhar o caso e adotar as medidas jurídicas cabíveis, o Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP) informou que disponibiliza atendimento especializado em saúde mental aos seus filiados.
O suporte psicológico é realizado pela terapeuta Luciana Bonis, às quartas e quintas-feiras, das 13h às 17h.
Já o atendimento em psiquiatria é oferecido pelo Dr. Idanir Neto, às quartas-feiras, a partir das 15h. O médico atende apenas um paciente por dia, com consultas que duram, em média, de 1h30 a 2 horas, garantindo acompanhamento aprofundado e individualizado.
É importante destacar também que o cuidado com a saúde mental dos policiais civis é prioridade, especialmente diante das pressões inerentes à atividade policial, e reforça que os servidores que necessitarem de apoio podem procurar diretamente o sindicato para agendamento e orientações.
SIPESP em ação
O SIPESP informou que o caso será encaminhado ao seu corpo jurídico para análise das medidas cabíveis e que buscará esclarecimentos formais junto ao IAMSPE sobre os fatos relatados, bem como acompanhará eventual apuração administrativa e judicial.
O sindicato também reforça que mantém canal de denúncias anônimas em seu site oficial, garantindo sigilo aos servidores que desejarem relatar situações semelhantes.
Até o fechamento desta matéria, não houve posicionamento oficial da direção do hospital sobre o caso sobre o relato. O espaço permanece aberto para manifestação.
Escute o áudio do investigador:
