Os Sindicatos representativos de policiais civis, militares, penais e científicos de diversas regiões do Estado de São Paulo realizaram, nesta terça-feira (24/2), uma manifestação contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foi com expressões de “fora, Tarcísio” e “governador mentiroso”, que os manifestantes denunciaram a ausência de reajuste salarial, o descumprimento de promessas de campanha e a crescente precarização das condições de trabalho nas forças de segurança pública.
A mobilização foi convocada por sindicatos e associações e contou com a presença de deputados estaduais como Carlos Giannazi (PSOL) e Reis (PT). O ato teve início na Avenida Paulista e seguiu em caminhada até a Secretaria de Segurança Pública, no centro da capital.
Presença do SIPESP e entidades de representação
O Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP) marcou presença na manifestação e foi representado por seu presidente, Paulo Erica, e pelos diretores João Carlos Pavão de Paiva (Lins), Clodoaldo Luis Ferreira e Alcyr Souza Reis Junior (Garça). Ao todo, o ato reuniu mais de 150 participantes, entre policiais civis, militares, penais e da polícia científica, evidenciando a insatisfação generalizada das forças de segurança com a atual política salarial e administrativa do governo estadual.
Denúncias de precariedade e promessas não cumpridas
No palanque, o presidente do SIPESP, Paulo Augusto, que também é um policial da ativa, fez um relato contundente sobre a realidade enfrentada diariamente pelos profissionais da Polícia Civil. Segundo ele, delegacias operam em condições estruturais precárias, com prédios deteriorados, goteiras, falta de manutenção e viaturas antigas ou em mau estado de conservação.
“O governador prometeu, reiteradas vezes durante a campanha, que o salário dos policiais estaria entre os melhores do Brasil. Isso não se cumpriu. Hoje, estamos entre as últimas posições do ranking nacional”, afirmou. O sindicalista também denunciou a sobrecarga de trabalho no interior do estado, onde, em alguns casos, apenas um investigador é responsável por lavrar flagrantes e executar tarefas que exigiriam, no mínimo, dois policiais.
Outro ponto destacado foi o que os manifestantes classificam como ambiente de pressão e assédio moral dentro das unidades policiais, com ampliação do monitoramento por câmeras em delegacias, comparado a um “Big Brother”, sem que isso venha acompanhado de melhorias estruturais ou valorização profissional.
Críticas políticas e questionamento sobre prioridades do governo
O deputado estadual Reis fez duras críticas à política de privatizações do governo estadual, classificando o governador como “um novo Pinóquio”. Segundo o parlamentar, o governo tem alienado o patrimônio público — como a Sabesp, rodovias estaduais, terras devolutas e projetos envolvendo o metrô — sem que os recursos arrecadados retornem em investimentos para a segurança pública.
“Não compraram viaturas, não investiram em equipamentos e não cumpriram a promessa de tornar a polícia paulista uma das dez mais bem pagas do país. Hoje, estamos na 23ª ou 24ª posição”, lamentou.

Na mesma linha, o deputado Carlos Giannazi questionou as prioridades orçamentárias do governo. Para ele, há recursos para beneficiar grandes devedores e sonegadores, mas falta disposição política para garantir o reajuste salarial dos servidores da segurança, saúde e educação. Giannazi destacou que o dia 1º de março marca a data-base dos servidores estaduais. “Se o governo não cumprir o reajuste, vamos ingressar com representações no Tribunal de Contas, no Ministério Público e no Tribunal de Justiça contra a omissão do Executivo”, declarou.
Caminhada sob chuva e expectativa por respostas
Mesmo sob chuva intensa, os manifestantes seguiram em passeata até a Secretaria de Segurança Pública, com o objetivo de levar diretamente ao secretário de segurança pública, Nico Gonçalves, a insatisfação das categorias com a atual gestão.
Ao final do ato, o sentimento predominante foi de cobrança por respostas efetivas. As entidades sindicais afirmam que esperam, a partir de agora, ações concretas que atendam às demandas mais urgentes das categorias: reajuste salarial digno, preservação de direitos, valorização profissional e condições adequadas de trabalho.
Segundo os organizadores, novas mobilizações não estão descartadas caso o governo estadual continue escanteando as reivindicações de quem realmente sustenta a segurança pública do estado mais rentável do Brasil.
