Investigadores da Polícia Civil estão denunciando a criação de uma escala provisória de atendimento ao público e vigilância na recém-inaugurada Cidade da Polícia Civil de São Bernardo do Campo. Na prática, a medida tira efetivo da investigação para tapar um buraco que deveria ter sido resolvido antes mesmo do prédio abrir as portas.

O complexo foi inaugurado há poucas semanas, com bastante alarde institucional, reunindo em um só endereço as delegacias especializadas do município. À época, a proposta foi vendida como um passo importante na modernização da Polícia Civil e na melhoria do atendimento à população.

A realidade identificada pelo sindicato, porém, é bem diferente. Como não há empresa contratada para cuidar da segurança patrimonial e do atendimento na portaria, a administração teria optado por escalar investigadores e outros policiais operacionais para ficar na entrada do prédio, cobrindo os períodos diurno e noturno.

Investigadores denunciam escala de vigia na Cidade da Polícia Civil de SBC e apontam desvio de função

A Escala Provisória de Atendimento ao Público – Cidade da Polícia Civil – Julho de 2026, assinada pelo delegado titular Rodrigo Baracat Guimarães Pereira, prevê plantões de 12 horas, das 8h às 20h e das 20h às 8h. Conforme o documento, os policiais escalados devem permanecer nas instalações localizadas na entrada do complexo, em frente ao setor de protocolo, sendo responsáveis pelo atendimento e orientação ao público. A escala ainda determina que não serão permitidas permutas ou substituições sem autorização prévia.

Chama atenção também o fato de a escala ter sido direcionada só a investigadores e demais policiais operacionais — delegados e escrivães ficaram de fora —, o que só aumentou a indignação entre os servidores.

Para os policiais ouvidos pela reportagem, o caminho óbvio seria contratar uma empresa especializada em segurança e controle de acesso, deixando o efetivo livre para o que de fato importa: a atividade de polícia judiciária.

O SIPESP espera que, com a repercussão do caso em São Bernardo do Campo, a administração da Polícia Civil reveja essa decisão e encontre uma saída que não comprometa ainda mais o trabalho de investigação.

O SIPESP mantém aberto o espaço para manifestação da Delegacia Seccional de Polícia de São Bernardo do Campo e da Delegacia Geral da Polícia Civil, tanto sobre os critérios usados para montar essa escala quanto sobre uma eventual contratação de serviço de vigilância e controle de acesso para o complexo.

O sindicato afirma que vai continuar acompanhando o caso, avaliando as medidas cabíveis e cobrando da Administração da Polícia Civil providências concretas para que investigadores não sejam colocados em atividades incompatíveis com as atribuições do cargo.