Na noite desta quarta-feira (23/4), o Auditório Paulo Kobayashi, na Assembleia Legislativa de São Paulo, foi palco de um importante encontro entre entidades representativas dos trabalhadores da segurança pública. A iniciativa, articulada pelo deputado estadual Reis (PT), teve como foco central a construção conjunta da Campanha Salarial de 2025, com atenção especial às pautas das polícias paulistas.

O encontro reuniu lideranças sindicais de diversas categorias, incluindo representantes da Polícia Civil, que reforçaram a urgência de uma atuação unificada para pressionar o governo estadual a abrir diálogo e atender às justas reivindicações dos servidores da segurança pública.

Para o deputado Reis, é fundamental que as entidades sindicais das polícias atuem de forma articulada na elaboração de uma pauta única. “A partir daí, elaborem essa pauta e entreguem para o governo, que até agora não falou nada”, criticou. Segundo o parlamentar, o governo adota uma tática conhecida para empurrar o debate: cria grupos de trabalho e comissões, o que, na prática, serve para esfriar o debate sobre a Lei Orgânica da Polícia Civil e demais pautas de interesse das polícias.

Reis comparou a situação atual com o que ocorreu recentemente com a Polícia Penal, que teve sua regulamentação alterada pelo atual governo. Apesar da criação da Polícia Penal representar um avanço institucional, a implementação deixou lacunas e gerou desconforto entre os servidores.

SIPESP foca na mobilização

João Batista Rebouças da Silva Neto, presidente do SIPESP (Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo), agradeceu o apoio contínuo do deputado Reis e reiterou a necessidade urgente de reajuste salarial e valorização dos investigadores. “Temos um governador que não respeita a Polícia Civil. Estamos sem aumento, a data-base de março passou e não se fala nada. Não dá entrevista, não aparece nem na rua!”, lembrou.

Rebouças foi enfático ao destacar que apenas encontros e falas não serão suficientes para resolver os problemas da categoria. “Temos que mobilizar! É isso o que os governadores temem: mobilização! Lotar a frente do Palácio dos Bandeirantes, da Secretaria de Segurança Pública. Fizemos isso em 2008 e tivemos sucesso! Muitos que estão aqui hoje estavam lá naquela época”, relembrou.

A fala do presidente do SIPESP foi marcada por emoção e indignação diante do descaso do governo estadual. “O desânimo que dá de receber um dos piores salários do Brasil e não ser sequer recebido para debater sobre isso… Enviamos ofícios, exigimos participação nos grupos de trabalho da Lei Orgânica. É hora de coragem. Não vamos mais admitir isso. Merecemos respeito!”

Além do tema salarial, João Batista pontuou outros desafios enfrentados pela Polícia Civil paulista, como o grave déficit de efetivo, a necessidade urgente de nomeação dos aprovados em concurso, o abandono da saúde dos servidores e a postura contraditória de deputados eleitos com votos da segurança pública que hoje votam contra a própria categoria.

O deputado Carlos Giannazi (PSOL) também participou do evento e reforçou o papel histórico da mobilização. “Foi heroico o que aconteceu lá. Eu já era deputado, estava no meu primeiro mandato e me lembro que apenas três deputados estiveram presentes naquele ‘quase massacre’ que vocês sofreram lá no Palácio dos Bandeirantes: estavam o Major Olímpio, o deputado Roberto Felício, que era professor da Apeoesp e eu também. Estávamos tentando convencer o governador da época, o Serra, a atender vocês, às reivindicações que estavam levando na pauta. Aquela mobilização foi muito importante”, relembrou.

Giannazi revelou também que acompanha a execução orçamentária atual do Estado de São Paulo e afirmou que há recursos disponíveis para reajustar os salários. “O governador pode, se quiser, conceder uma reposição digna aos servidores da Polícia Civil e a todos os trabalhadores do serviço público. O que falta é vontade política”, afirmou.

O SIPESP segue atento, mobilizado e à disposição da categoria para articular ações firmes, eficazes e que garantam respeito, dignidade e valorização para os investigadores de polícia. É hora de união, mobilização e luta!

Também participaram o Deputado Guilherme Cortez, o vereador delegado Gustavo Mesquita e presidentes e diretores do SIPESP, SINDPESP, ADPESP, AFPCESP, AIPESP, SEPESP, SITRASPESP, APPESP, SIPOL, SINPOLSAN, SINDCAESP, SINPCRESP, SINPOL, IPA, AMELESP, AEPESP, ASPCESP, SINTELPOL, COBRAPOL, SINPPENAL, SINDPENAL e SINDPPESP.