Policiais civis enfrentam dificuldades para realizar a entrega de materiais periciais no prédio do Instituto de Criminalística (IC), localizado no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista, sede da Superintendência da Polícia Técnico-Científica. Problemas no sistema interno e mudanças no funcionamento do atendimento têm gerado atrasos, acúmulo de demandas e prejuízos diretos ao andamento das investigações de investigadores de polícia da Capital. A denúncia foi realizada no dia 15 de abril.

De acordo com relatos, o processo de entrega das peças funciona da seguinte maneira: os policiais começam a chegar para entrega já nas primeiras horas da manhã — por volta das 6h. No entanto, o setor responsável pelo recebimento encerra as atividades às 13h e, após esse horário, nenhum material é aceito. A limitação estaria relacionada à terceirização dos trabalhadores responsáveis pelo atendimento.

Além da redução no horário, a lentidão do sistema tem agravado a situação. Em um dos episódios recentes, cerca de 15 policiais não conseguiram concluir a entrega dos materiais e tiveram que retornar às suas unidades com as peças ainda sob sua responsabilidade.

“Vem laudo e não conseguimos entregar”, relatou uma das testemunhas, sob condição de anonimato.

O problema se arrasta desde o último fim de semana, quando, segundo os relatos, o sistema passou a apresentar instabilidade. Em determinados momentos, o atendimento chegou a ser completamente suspenso, com fechamento das portas do setor.

Outro fator que contribui para os atrasos é a divisão das entregas por regionais. Cada seccional possui um dia específico da semana para realizar o procedimento. Assim, quando a entrega não é concluída, o policial precisa aguardar até a semana seguinte para tentar novamente, ampliando o prazo de tramitação dos materiais.

A situação também afeta a devolução de peças já periciadas. Segundo os policiais, materiais que deveriam ser liberados não estão sendo devolvidos sob a justificativa de falhas no sistema.

Impacto no trabalho

Isso tudo impacta diretamente nas delegacias. Com os atrasos, delegados e equipes acabam atribuindo a demora aos próprios policiais responsáveis pela entrega, gerando desgastes internos e dificultando o fluxo de trabalho.

“Parece que estamos demorando propositalmente ou ‘enrolando’, quando, na verdade, não conseguimos concluir a entrega por conta de todos esses fatores que enfrentamos no IC”, afirmou outro policial.

Até o momento, não há informações sobre a normalização completa do sistema ou eventual revisão dos horários de atendimento. Enquanto isso, policiais seguem lidando com acúmulo de demandas e incerteza sobre os prazos para regularização dos serviços periciais.