Servidor público amarga descaso com reajuste irrisório que só passa a valer em agosto, quatro meses após aprovação na ALESP

Após meses de espera e pressão de entidades representativas, o reajuste salarial de 5% para os servidores públicos estaduais foi finalmente publicado no Diário Oficial, por meio da Lei 1.425. No entanto, o que deveria ser uma medida de alívio virou motivo de indignação generalizada entre os servidores: o índice é considerado irrisório e, para piorar, só entrará em vigor a partir de agosto, mesmo tendo sido aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) ainda em 14 de maio.

A decisão do governador em adiar a sanção vem sendo duramente criticada. Segundo o deputado estadual Paulo Reis, a atitude demonstra “desrespeito com os servidores”, que esperavam ao menos a recomposição inflacionária com efeito retroativo à data-base de março. “Sem falar no vale-refeição, que segue congelado em R$12 — valor que não compra nem uma coxinha. Os servidores estão indignados e com razão”, declarou o parlamentar.

Reis também ironizou o governador, que vem sendo apelidado por servidores de “Tarcinco” e até de “TarSylvia Design”, numa referência sarcástica ao reajuste considerado “cosmético” e à demora em sancionar a lei.

Para o presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP), João Batista Rebouças da Silva Neto, a postura do governo evidencia uma política de desprestígio em relação à segurança pública. “Estamos pagando um preço alto nesta gestão, que está sendo a inimiga número 1 da segurança pública. E o pior de tudo é que a nossa categoria fica cada vez mais enfraquecida. Afinal, quem quer ser tratado desta maneira?”, questionou.

Apesar do cenário desanimador, o presidente do SIPESP reforçou o compromisso da entidade com a luta por valorização. “O Sindicato está aqui para continuar lutando e colaborando com o nosso maior representante, o deputado Reis, para conseguirmos ao menos ser olhados pelo Governo.”

Enquanto o funcionalismo vê seus salários corroídos pela inflação e os benefícios congelados, a sensação predominante é de abandono. Como bem apontou Reis: “Os servidores são a porta de entrada do Estado, o cartão de visita. Se eles estão desvalorizados, quem sofre é a população — e, no fim, o próprio governo.”