Após reunião com Tarcísio, Fórum Resiste-SP pressiona por reajuste linear em 2026 e recebe previsão da minuta da LOPC

Em encontro de quatro horas com o governador, representantes das entidades apresentaram estudos, defenderam plano de carreira sem impacto orçamentário e reforçaram críticas ao modelo de subsídio, enquanto aguardam a entrega da minuta da Lei Orgânica e um posicionamento definitivo sobre o reajuste salarial.

Nesta segunda-feira (24/11), representantes do Fórum Resiste-SP participaram de uma reunião de quatro horas com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio dos Bandeirantes, para debater temas estruturantes da segurança pública. O primeiro – e longo – encontro do chefe do Executivo com o grupo, teve como foco central a Lei Orgânica da Polícia Civil (LOPC), o plano de carreira das polícias e a política de remuneração. O SIPESP foi representado por seu secretário-geral, Joraci de Campos.

O encontro foi agendado após mobilização das categorias em frente ao Pátio do Colégio, na última terça-feira, dia 18 de novembro.

De acordo com o líder do Fórum Resiste-SP, delegado André Pereira, a reunião foi marcada por intensos debates e pela tentativa de obter compromissos concretos antes do encerramento do ano legislativo, em 19 de dezembro.

“Eu queria sair de lá com o compromisso de um projeto encaminhado à Alesp ainda em 2025. No final, conseguimos avançar, mas ainda não temos a confirmação total. O governador ficou sensibilizado com alguns eixos, mas tem receio do impacto financeiro”, afirmou Pereira, que foi indicado pela Assessoria do Palácio para representar os demais sindicatos e associações no encontro.

Apesar da presença massiva das categorias, de todo o grupo, somente o Delegado André Pereira foi recebido pelo governador, um desrespeito pelas carreiras operacionais, como de costume.

Seis eixos apresentados, zero dissenso

O Fórum levou ao governador uma pauta consensual, composta por seis eixos: remuneração, plano de carreira, jornada de trabalho, saúde, previdência, aposentados e prerrogativas. Nenhuma pauta divergente foi apresentada, conforme acordado previamente entre as entidades.

Ele relatou que teve tempo livre para apresentar cada item e expôs estudos técnicos, inclusive cálculos de impacto orçamentário. Um dos principais alertas do grupo ao governador foi quanto ao modelo remuneratório.

“Dissemos claramente: esquece o subsídio. Ele trata igualmente pessoas em situações diferentes e repetiria o erro do reajuste não linear”, reforçou.

Reajuste salarial: estudo em andamento, mas sem garantias

Tarcísio apresentou números referentes ao impacto da folha e mencionou as limitações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo afirmou que o Estado opera hoje perto dos limites de despesa com pessoal — entre 90% e 92% da poupança corrente líquida — o que aciona restrições.

Apesar do cenário, o governador indicou que está “em estudo” um reajuste linear para 2025 para Polícia Civil e Polícia Militar.
O Fórum, entretanto, classificou a sinalização como “gerúndio”, reforçando que ainda não há compromisso fechado.
“Se vier, será linear. Reajuste não linear ficou comprovadamente equivocado”, explicou Pereira, destacando que o argumento foi reforçado na presença do secretário de Segurança Pública.

Lei Orgânica: minuta será apresentada na próxima semana

Um dos avanços do encontro foi a garantia de que a minuta da Lei Orgânica da Polícia Civil será apresentada na próxima semana às entidades que compõem o Fórum Resiste-SP. O secretário de Segurança Pública apoiou o encaminhamento.

A proposta deve ser discutida exclusivamente entre os representantes das entidades integrantes do Fórum.

O delegado Artur Dian, da cúpula da Polícia Civil, informou que já há reuniões agendadas na SSP para trabalhar em cima do texto preliminar.

Plano de carreira: tentativa de avançar ainda este ano

O Fórum pleiteou que o governo encaminhe ainda em 2026 o projeto de plano de carreira da Polícia Civil e da Polícia Militar para a ALESP. O governador, inicialmente resistente, não descartou completamente a possibilidade.

Há elevada chance de avanço porque o plano, tal como desenhado pelo grupo, gera impacto praticamente zero, já que quase todos já recebem classe acima. O plano de carreira com critérios objetivos não altera significativamente a folha. É uma medida de baixo impacto e alta eficiência.”

Reestruturação de carreiras: alerta máximo

O tema da reestruturação de carreiras — especialmente o risco de unificação de cargos ou extinções — foi apenas tangenciado. O governador mencionou exemplos da Polícia Penal, afirmando que no passado “nem poderia ter feito” certas mudanças, mas fez mesmo assim.

A fala acendeu alerta dentro do Fórum. Qualquer tentativa de atrelar reestruturação à adoção de subsídio seria prejudicial, todos perderiam.

Próximos passos

O Fórum Resiste-SP divulgou um vídeo oficial consolidando os encaminhamentos:

  • apresentação da minuta da Lei Orgânica às entidades do Fórum na próxima semana;
  • continuidade do diálogo direto com o governador;
  • defesa do plano de carreira sem impacto orçamentário;
  • acompanhamento do estudo para o reajuste linear para 2026.

“A reunião foi longa, mas agora temos que seguir com atenção, porque nada está garantido até a formalização da documentação”, analisou Joraci de Campos, representante do SIPESP.