Denúncia aponta abuso de autoridade, desvio de função e desvalorização em Bauru

Após a divulgação do Canal de Denúncias do SIPESP, servidores relatam medo de represálias e apontam sobrecarga, distorções na carreira e falhas na gestão.

Servidores relataram ao Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP) uma série de situações que indicam abuso de autoridade, desvio de função, sobrecarga de trabalho e desvalorização profissional, em especial na Seccional de Bauru.

Os relatos surgiram após a recente divulgação do canal institucional do sindicato, criado para receber manifestações de servidores com garantia de sigilo e proteção contra retaliações. Segundo as informações reunidas, há preocupação recorrente com práticas administrativas que podem impactar diretamente a eficiência do serviço policial e a segurança dos profissionais.

Entre os principais problemas apontados está a restrição no acesso a cursos da Acadepol, fundamentais para a capacitação profissional. Segundo os relatos, a liberação dos cursos depende do Delegado Seccional — e não do superior imediato da unidade —, o que tem resultado em indeferimentos frequentes. Em muitos casos, os investigadores conseguem autorização para apenas um curso por semestre, limitando o aperfeiçoamento técnico da categoria.

Outro ponto crítico diz respeito à sobrecarga operacional. Investigadores afirmam que, mesmo respondendo pela unidade onde atuam, continuam sendo escalados para plantões ou regimes de sobreaviso, o que compromete diretamente as atividades de investigação e a qualidade do serviço prestado à população.

Há também relatos de situações de risco, como escoltas de presos realizadas por um único investigador, em alguns casos por atraso ou ausência de equipe disponível. A prática, além de comprometer a segurança do servidor e dos custodiados, contraria protocolos básicos de segurança.

A precarização da rotina se intensifica em unidades com efetivo reduzido. Em determinadas cidades, há apenas um investigador — ou nenhum — em atividade, o que obriga o profissional a registrar todos os tipos de ocorrências, independentemente da natureza ou complexidade do caso. A sobrecarga, segundo os servidores, gera desgaste físico, emocional e prejudica a eficiência das investigações.

As denúncias também apontam distorções no processo de promoção por merecimento. Investigadores com mais tempo de carreira relatam que estão sendo preteridos em favor de servidores mais novos, frequentemente lotados em unidades especializadas ou setores administrativos, enquanto os mais experientes permanecem em plantões ou sub-regiões, com menor visibilidade institucional.

Outro ponto levantado é a ausência de DEJEC (Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho) para Investigadores, enquanto escrivães de delegacias especializadas recebem o benefício para atuar em eventos como jogos em estádios de futebol, o que tem sido interpretado como tratamento desigual entre carreiras.

Além disso, os relatos falam sobre cobranças consideradas abusivas para lavratura de flagrantes, sob ameaça de remanejamento de unidade. A pressão ocorre mesmo em municípios que contam com efetivo mínimo ou inexistente de investigadores, agravando ainda mais a precarização do trabalho policial.

Apesar da gravidade dos relatos, muitos servidores afirmam temer represálias da chefia, o que dificulta denúncias formais e expõe um ambiente de insegurança institucional.

O SIPESP deixa claro que está analisando o conteúdo das manifestações recebidas (todas as denúncias recebidas são checadas por ordem de recebimento) e poderá encaminhar os casos aos órgãos competentes para apuração, além de reforçar o compromisso com a defesa das prerrogativas profissionais, a legalidade administrativa e a valorização da carreira de Investigador de Polícia.

A entidade ressalta que a iniciativa de manter um Canal de Denúncias estruturado e sigiloso visa fortalecer a transparência, combater eventuais abusos e contribuir para a melhoria das condições de trabalho e da prestação do serviço público.

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