
Por João Batista Rebouças da Silva Neto
Nesta quarta-feira, dia 7 de maio, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) aprovou, com impressionante agilidade, a criação de novos cargos, aumento salarial e bônus para aposentadorias no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Os projetos, apresentados em 3 de abril, levaram menos de 40 dias para tramitar e obter aprovação — um exemplo claro de que, quando há interesse político, o tempo e os trâmites deixam de ser obstáculos.
A pergunta que não quer calar é: por que essa mesma pressa nunca se aplica às demandas dos servidores da segurança pública?
Enquanto isso, os profissionais da Polícia Civil — aqueles que investigam, elucidam crimes e arriscam a própria vida em nome da justiça e da ordem pública — receberam como resposta um reajuste salarial de apenas 5%, anunciado pelo governador Tarcísio de Freitas. É quase uma provocação. Em 2023, tivemos reajuste zero. A inflação do ano foi de 4,62% e a de 2024 foi de 4,83%. Isso significa que, para manter o poder de compra, o mínimo necessário seria um reajuste de 9,45%. Oferecer 5% é, como bem disse o deputado estadual Paulo Reis, “maquiagem”. Uma tentativa de acalmar os ânimos sem resolver absolutamente nada.
É simbólico — e revoltante — ver que os que julgam contas e ocupam gabinetes silenciosos são premiados com celeridade e benefícios, enquanto os que enfrentam a criminalidade nas ruas são ignorados ou, no máximo, “compensados” com percentuais que mal cobrem a inflação. O recado parece claro: há servidores de primeira classe e há os esquecidos.
É importante frisar que essa proposta não atinge somente a Polícia Civil, mas quase 1 milhão de servidores públicos estaduais. O reajuste sinaliza que o próprio governo reconhece a necessidade de correção. Mas não basta reconhecer — é preciso agir de forma justa e proporcional.
A defasagem salarial da Polícia Civil de São Paulo é histórica. A cada ano sem reposição real, o abismo entre a responsabilidade do cargo e a remuneração aumenta. Fala-se muito em segurança pública como prioridade de governo, mas os atos seguem contradizendo o discurso.
Diante disso, é obrigação do SIPESP reafirmar sua posição: não aceitaremos medidas paliativas. A Polícia Civil exige valorização à altura de sua missão. A sociedade paulista depende diretamente da motivação e da estrutura de sua polícia para viver com segurança. Ignorar isso é comprometer o futuro.
O tempo da espera, da paciência e da promessa vazia acabou. Se houve celeridade para beneficiar alguns, que também haja coragem para fazer justiça a quem realmente serve a população.
João Batista Rebouças da Silva Neto é presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP).
