Vídeos e relatos encaminhados ao SIPESP apontam demora para realização de cirurgia, alimentação inadequada e tratamento desrespeitoso durante internação

A precariedade do atendimento oferecido pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE) voltou a ser alvo de denúncias encaminhadas ao Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (SIPESP).

Em vídeos e mensagens recebidos pelo Sindicato, servidores relatam problemas que vão desde a demora para a realização de procedimentos cirúrgicos até o fornecimento de alimentação fria e a maneira desrespeitosa com que pacientes e familiares teriam sido tratados por funcionários.

Uma servidora (cuja identidade será preservada) contou que precisou ser internada às pressas após a identificação de uma massa no crânio. Segundo o relato, além da gravidade de seu estado de saúde, ela teria enfrentado condições inadequadas durante o período de internação.

Entre as situações denunciadas está o fornecimento de refeições frias aos pacientes. Ao questionar o problema, a servidora afirma ter sido tratada com agressividade pela funcionária responsável pela entrega dos alimentos. Ainda de acordo com o relato, seu filho buscou comida em uma lanchonete, mas a família teria sido repreendida por levar o alimento até a unidade.

“Fui internada de emergência com uma massa no crânio. É uma calamidade. As funcionárias tratam a gente como lixo”, desabafou a denunciante. Ela também chamou a atenção para a situação daqueles que não possuem outro plano de saúde e dependem exclusivamente do IAMSPE.

Servidor paga mas não consegue utilizar

Outro relato encaminhado ao SIPESP denuncia uma espera de aproximadamente dois anos para a realização de uma cirurgia de hérnia inguinal. Segundo a servidora, a justificativa apresentada seria a falta de cirurgião disponível para efetuar o procedimento.

A denunciante afirmou já ter enfrentado dificuldades semelhantes no final de 2025 e classificou a situação como “triste”. Também criticou a diferença entre a realidade apresentada publicamente pelo Governo do Estado e aquela vivenciada diariamente pelos servidores que procuram atendimento.

Os relatos se somam a outras denúncias recebidas pelo SIPESP e reforçam uma preocupação antiga da entidade: a insuficiência da estrutura disponibilizada aos servidores estaduais que contribuem mensalmente para a manutenção do Instituto.

Outras denúncias recebidas apontam também que determinadas consultas estariam durando pouco mais de dois minutos, em um atendimento realizado “a toque de caixa”.

A indignação aumenta porque a contribuição ao IAMSPE é descontada diretamente do holerite dos servidores ativos. Mesmo quem precisa contratar e pagar um convênio médico particular, devido às dificuldades encontradas na rede do Instituto, continua sujeito ao desconto mensal.

Na prática, o servidor arca com duas despesas: paga obrigatoriamente pelo IAMSPE e, para evitar mais dificuldades quando necessita de atendimento, muitas vezes também precisa manter um plano de saúde particular.

Pedidos administrativos para interromper o desconto dos servidores ativos, segundo informações encaminhadas ao Sindicato, não costumam ser aceitos pelo Estado. Como a contribuição é considerada obrigatória pela legislação estadual, o questionamento do desconto geralmente exige o ingresso de medida judicial, com a orientação de advogado ou defensor público.

Eventual desligamento, quando reconhecido, também deve ser analisado com cautela, pois pode produzir efeitos definitivos sobre o direito à assistência médica do titular e de seus dependentes. Por isso, cada caso deve ser previamente avaliado por um profissional da área jurídica.

Para muitos servidores, portanto, a realidade pode ser resumida de forma preocupante: paga-se por um serviço que, quando necessário, nem sempre pode ser utilizado de maneira rápida, adequada e digna.

Em busca de soluções

Para o SIPESP, não é aceitável que servidores públicos, depois de anos de trabalho e contribuição, encontrem demora excessiva, falta de profissionais, condições inadequadas de internação ou tratamento desrespeitoso justamente no momento em que estão mais vulneráveis.

O Sindicato destaca que os problemas do IAMSPE não podem ser tratados como casos isolados. As denúncias recorrentes demonstram a necessidade de investimentos, ampliação das equipes, redução das filas e fiscalização permanente da qualidade dos serviços prestados.

É importante relembrar que o IAMSPE tem por hábito descredenciar clínicas e laboratórios sem aviso prévio. Relembre clicando aqui: https://sipesp.org.br/descredenciamento-de-clinicas-no-abc-preocupa-servidores-publicos/

O SIPESP cobra do Governo do Estado de São Paulo e da direção do IAMSPE a apuração das denúncias, a adoção de providências imediatas e a apresentação de medidas concretas para assegurar atendimento digno, humanizado e eficiente aos servidores e seus dependentes.

A entidade continuará recebendo e dando visibilidade às manifestações da categoria, além de acompanhar as medidas adotadas pelos órgãos responsáveis.

O espaço permanece aberto para manifestação do IAMSPE e do Governo do Estado de São Paulo.